Antes de comparar, defina o problema
Escritórios diferentes têm dores diferentes, e o mesmo sistema pode ser excelente para um e inadequado para outro. Vale escrever, em uma frase, o que precisa mudar:
- "Perdemos prazos porque ninguém confere publicações com regularidade."
- "Ninguém sabe o status real dos processos sem abrir o site do tribunal."
- "Os documentos estão espalhados e a busca é impossível."
- "Não sabemos quanto o escritório fatura por área nem quem está inadimplente."
- "Quando alguém sai de férias, o trabalho para."
Essa frase é o critério de decisão. Um sistema com quarenta módulos que não resolve exatamente essa dor é um sistema caro que não resolve nada.
Critério 1: a qualidade do cadastro de processos
Vale olhar além da existência do módulo. As perguntas úteis:
- O cadastro permite registrar partes, advogados contrários e representantes, ou só o cliente?
- Os campos de área e tipo de ação usam listas fixas ou texto livre?
- Dá para vincular o processo ao cadastro do cliente sem redigitar dados?
- Um cliente com vários processos aparece de forma consolidada?
- Os status são configuráveis ou impostos pelo sistema?
Cadastro pobre contamina tudo o que vem depois: sem dado estruturado não existe relatório confiável, e sem relatório confiável o sistema vira um arquivo digital caro.
Critério 2: como os prazos entram no sistema
Este é o ponto que mais separa sistemas na prática. Existe uma diferença enorme entre "o sistema tem controle de prazos" e "os prazos chegam ao sistema sozinhos".
Se cada prazo precisa ser digitado manualmente a partir de uma publicação que alguém leu, o sistema não eliminou o principal ponto de falha — apenas mudou o lugar onde a falha acontece. Perguntas concretas:
- O sistema monitora publicações e captura movimentações automaticamente?
- O prazo derivado de uma publicação entra direto na agenda ou exige lançamento manual?
- Existem alertas antes do vencimento, e são configuráveis?
- Mais de uma pessoa consegue ver o prazo, ou ele fica só com o responsável?
Critério 3: documentos que ficam junto do processo
Armazenar arquivo é o mínimo. O que interessa é como esse arquivo é encontrado depois. Um bom sistema vincula o documento ao processo e ao cliente, mantém histórico de versões e permite busca por mais de um critério.
Vale testar com um caso real durante a avaliação: subir três documentos de um processo e tentar encontrá-los duas semanas depois sem lembrar o nome do arquivo. Se não der, não vai dar em produção também.
Critério 4: permissões e trabalho em equipe
Escritórios com estagiários, assistentes e advogados associados precisam controlar quem vê o quê. As perguntas:
- Existem perfis diferentes de acesso, ou todo usuário enxerga tudo?
- Dá para limitar o acesso financeiro a sócios?
- Há registro de quem alterou o quê?
- Quantos usuários estão incluídos e quanto custa adicionar mais?
O custo por usuário adicional merece atenção especial: um sistema barato na assinatura base pode ficar caro quando a equipe cresce de três para seis pessoas.
Critério 5: o que mais o sistema resolve
Processos raramente vivem isolados. O caso gera prazos, documentos, petições, honorários e — antes de tudo isso — um contato que virou cliente. Sistemas separados para cada etapa significam redigitar dados e conciliar informação manualmente.
Vale verificar se o mesmo sistema cobre agenda, documentos, controle financeiro e captação de clientes, e se esses módulos realmente conversam entre si — ou se apenas coexistem na mesma tela.
Critério 6: migração dos dados atuais
É o item mais ignorado nas avaliações e o que mais frequentemente inviabiliza a adoção. Se o escritório tem duzentos processos em outro sistema ou em planilhas, recadastrar tudo à mão é trabalho de semanas — e por isso costuma não acontecer.
Pergunte diretamente: existe importação de dados? A partir de quais formatos? Há apoio da equipe do fornecedor nesse processo? Quanto tempo costuma levar? Um "sim, ajudamos" genérico não basta; peça o procedimento.
Critério 7: suporte e implantação
Software jurídico é usado sob pressão de prazo. Quando algo não funciona numa sexta-feira à tarde com petição para protocolar, a qualidade do suporte deixa de ser detalhe.
- O atendimento é em português e por qual canal?
- Qual o tempo típico de resposta?
- Existe apoio na implantação inicial ou o escritório se vira sozinho?
- Há material de treinamento para quem entrar na equipe depois?
Critério 8: testar com dados reais antes de decidir
Demonstração comercial mostra o sistema no melhor cenário possível. Teste real mostra o sistema no seu cenário. Se houver período de avaliação gratuita, use-o com trabalho de verdade:
- Cadastre cinco processos reais, completos, do jeito que o escritório trabalha.
- Peça para a pessoa menos familiarizada com tecnologia cadastrar um sozinha.
- Lance um prazo e verifique se o alerta chega como esperado.
- Tente encontrar um documento sem lembrar o nome do arquivo.
- Gere um relatório da carteira e veja se ele responde a uma pergunta real.
O item 2 é o mais revelador. Sistema que só o sócio mais jovem consegue usar não é sistema do escritório.
Critério 9: sigilo, segurança e LGPD
Escritórios tratam dados sensíveis por definição: informações de saúde em ações previdenciárias, dados familiares em ações de família, informações financeiras em execuções. Isso está sob sigilo profissional e sob a Lei Geral de Proteção de Dados ao mesmo tempo.
As perguntas que valem ser feitas ao fornecedor:
- Onde os dados ficam hospedados e sob qual infraestrutura?
- Como é feita a cópia de segurança e com que frequência?
- Quem, do lado do fornecedor, pode acessar os dados do escritório e sob quais condições?
- Existe registro de acesso e alteração dentro do sistema?
- Há autenticação com proteção adicional para as contas?
- O que acontece com os dados se o contrato for encerrado?
Vale registrar as respostas por escrito. Elas fazem parte da diligência do escritório sobre o tratamento de dados de terceiros, e não apenas da avaliação comercial.
Sinais de alerta
- Recusa em mostrar preço antes de uma reunião longa.
- Contrato de fidelidade extenso para um software que deveria se provar pelo uso.
- Nenhuma resposta clara sobre exportação dos seus dados caso decida sair.
- Demonstração que evita as suas perguntas específicas e volta ao roteiro.
Onde o LinkinPro se encaixa
O LinkinPro é uma plataforma web — sem instalação — que reúne gestão de processos, agenda com prazos, documentos, peticionamento, financeiro e CRM no mesmo lugar, com acesso multiusuário e perfis de permissão. O período de teste é gratuito e não exige cartão de crédito, o que permite exatamente o tipo de avaliação com dados reais descrito acima.
Antes de escolher um sistema, porém, vale organizar o que já existe: o texto sobre como organizar os processos de um escritório trata do método, e ele funciona independentemente da ferramenta escolhida.